Na primeira sessão de cinema do ano os pedidos não mudaram. Seja qual for a idade, a enfermaria ou o estado de saúde, pacientes e acompanhantes sempre pedem a mesma coisa: um filme blockbuster. Afinal, se levamos o cinema para eles, por que não seria algo que já conhecem? É difícil compreenderem que os filmes do acervo não estão no cinema da esquina, mas foram feitos como instrumentos de uma educação audiovisual que nem sempre os pequenos espectadores estão dispostos a aceitar. Tenho a tendência a conversar com todos sobre suas preferências e percebo que, para a grande maioria, o cinema é como uma televisão em que encontram os mesmos produtos e personagens em um ambiente mais confortável e com pipoca de qualidade. No hospital, em meio à agitação da enfermaria, com frestas de cidade entrando pelas cortinas rasgadas e quando qualquer um pode de repente interromper a exibição do filme, como é possível existir experiência cinematográfica? Enquanto penso sobre essa questão, exibo Príncipes e Princesas, Minhocas e, claro, o agora já clássico Ernesto no país do futebol . É incrível como a temática do futebol vence muros de impaciência e preguiça e convoca os olhares dos meninos. Apesar de emburrado, pois não exibi nenhum dois vários filmes blockbusters que me pediu, um dos meninos (meio a contragosto) assistiu ao filme. No final, quando os créditos são acompanhados pela execução do hino nacional, alguns pais cantavam junto. Mais um imaginário forte a ser trabalhado, esse referente ao patriotismo de cada um. Seria mesmo necessário um signo comum para que houvesse a comunicação?E, havendo comunicação, seria ela da ordem do sensível, ou apenas um compartilhamento temporário de lugares e experiências estéticas?Porque, por vezes há sorrisos em seus rostos, mas seria possível que o sensível os atingisse para além do entretenimento?Tais são algumas perguntas que me faço, enquanto guardo os equipamentos no armário.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Territórios sensíveis-16/01/16-Cinema no IPPMG
- “Tia, tem Velozes e furiosos?”
Na primeira sessão de cinema do ano os pedidos não mudaram. Seja qual for a idade, a enfermaria ou o estado de saúde, pacientes e acompanhantes sempre pedem a mesma coisa: um filme blockbuster. Afinal, se levamos o cinema para eles, por que não seria algo que já conhecem? É difícil compreenderem que os filmes do acervo não estão no cinema da esquina, mas foram feitos como instrumentos de uma educação audiovisual que nem sempre os pequenos espectadores estão dispostos a aceitar. Tenho a tendência a conversar com todos sobre suas preferências e percebo que, para a grande maioria, o cinema é como uma televisão em que encontram os mesmos produtos e personagens em um ambiente mais confortável e com pipoca de qualidade. No hospital, em meio à agitação da enfermaria, com frestas de cidade entrando pelas cortinas rasgadas e quando qualquer um pode de repente interromper a exibição do filme, como é possível existir experiência cinematográfica? Enquanto penso sobre essa questão, exibo Príncipes e Princesas, Minhocas e, claro, o agora já clássico Ernesto no país do futebol . É incrível como a temática do futebol vence muros de impaciência e preguiça e convoca os olhares dos meninos. Apesar de emburrado, pois não exibi nenhum dois vários filmes blockbusters que me pediu, um dos meninos (meio a contragosto) assistiu ao filme. No final, quando os créditos são acompanhados pela execução do hino nacional, alguns pais cantavam junto. Mais um imaginário forte a ser trabalhado, esse referente ao patriotismo de cada um. Seria mesmo necessário um signo comum para que houvesse a comunicação?E, havendo comunicação, seria ela da ordem do sensível, ou apenas um compartilhamento temporário de lugares e experiências estéticas?Porque, por vezes há sorrisos em seus rostos, mas seria possível que o sensível os atingisse para além do entretenimento?Tais são algumas perguntas que me faço, enquanto guardo os equipamentos no armário.
Na primeira sessão de cinema do ano os pedidos não mudaram. Seja qual for a idade, a enfermaria ou o estado de saúde, pacientes e acompanhantes sempre pedem a mesma coisa: um filme blockbuster. Afinal, se levamos o cinema para eles, por que não seria algo que já conhecem? É difícil compreenderem que os filmes do acervo não estão no cinema da esquina, mas foram feitos como instrumentos de uma educação audiovisual que nem sempre os pequenos espectadores estão dispostos a aceitar. Tenho a tendência a conversar com todos sobre suas preferências e percebo que, para a grande maioria, o cinema é como uma televisão em que encontram os mesmos produtos e personagens em um ambiente mais confortável e com pipoca de qualidade. No hospital, em meio à agitação da enfermaria, com frestas de cidade entrando pelas cortinas rasgadas e quando qualquer um pode de repente interromper a exibição do filme, como é possível existir experiência cinematográfica? Enquanto penso sobre essa questão, exibo Príncipes e Princesas, Minhocas e, claro, o agora já clássico Ernesto no país do futebol . É incrível como a temática do futebol vence muros de impaciência e preguiça e convoca os olhares dos meninos. Apesar de emburrado, pois não exibi nenhum dois vários filmes blockbusters que me pediu, um dos meninos (meio a contragosto) assistiu ao filme. No final, quando os créditos são acompanhados pela execução do hino nacional, alguns pais cantavam junto. Mais um imaginário forte a ser trabalhado, esse referente ao patriotismo de cada um. Seria mesmo necessário um signo comum para que houvesse a comunicação?E, havendo comunicação, seria ela da ordem do sensível, ou apenas um compartilhamento temporário de lugares e experiências estéticas?Porque, por vezes há sorrisos em seus rostos, mas seria possível que o sensível os atingisse para além do entretenimento?Tais são algumas perguntas que me faço, enquanto guardo os equipamentos no armário.
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